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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Uma A-Conclusão



Antes de tudo: não aceito concluir nada pois meu processo de aprendizagem sobre educação alimentar e sobre a ampla temática da educação não pode ser concluído. Sob o preço de eu estagnar o meu aprendizado no estado imaturo que ainda está.
Conclusão no sentido de finalização é claro.

Mas no sentido de "o que eu aprendi", ou melhor de que forma minha percepção sobre os temas abordados mudou e se tornou diferente do que seria se eu não tivesse vivido as coisas que vivi ligadas direta ou indiretamente a disciplina: daí eu tenho algumas considerações.

Primeiramente digo que por vários motivos a educação sempre me pareceu desafiadora. E estar na disciplina forçou-me a começar a quebrar as barreiras deste desafio para que ele se colocasse na dimensão concreta de ação. Isso não é fácil. Ao menos pra mim porque implica em uma relação, não depende só de mim o desenvolvimento positivo ou dentro das expectativas, que leve a objetivo idealizado. Não é como misturar dois reagente ou fazer uma conta matemática. Se lida com pessoas e cada dia me convenço da complexidade de tudo isso.

Segundo, algumas coisas que pareciam óbvia e implícitas num processo educativo para mim foram objeto de algumas análises racionais. Pensar os OBJETIVOS de uma intervenção parece muito óbvio, mas uma das coisas que me dei conta foi que ele deve ser pensado em todas as suas minúcias e com um cuidado de ser periodicamente revisado. Prova disso foi nos questionarmos mesmo sobre o que é alimentação saudável.Afinal, o que queremos passar,será que sabemos mesmo qual é o nosso objetivo? Será que sabemos o que queremos como educadores, será que queremos "ensinar" alimentação saudável? Se mesmo para nós os parâmetros mudam?

Terceiro posso dizer que aprendi, e nas últimas apresentações de trabalhos tive alguns reforços para teoria de que alimentação saudável pode não ser o objeto principal de ensino. Ela pode ser trabalhada paralelamente a outros conteúdos, que muitas vezes serão as demandas da nossa população, muito mais que falar sobre o alimento em si. O alimento pode ser trazido num lanche, numa conversa durante o trabalho que tem em si um tema que motive os educandos. E talvez isso venha de encontro a amenizar tantas frustrações quando não se percebe o interesse em falar sobre alimentação. Talvez realmente não exista interesse, mesmo que claramente exista a necessidade. Mas o assunto da alimentação pode ser discutido paralelamente a outros e por isso mais fácil de relacionar com a realidade de cada um.

Bom, fazendo a minha auto-avaliação, sobre a minha posição enquanto educanda. Acho que atingi as metas essenciais. Com certeza gostaria de ter dado mais de mim e aproveitado mais. Mas a semente dos questionamentos ficou, e se antes eu me enamorava distantemente do tema da educação, ela olhando de lá e eu de cá, agora posso dizer que já criei coragem de me aproximar dela, de ler sobre o assunto, de pesquisar. Deixar o platonismo de achar importante mas não procurar, para trocar mais que olhares e começar um romance de verdade.
Bom, questionamentos que ficaram foram todos, sinto que o papel da disciplina para mim foi principalmente quebrar barreiras. Sobre educação ainda não sei quase nada, mas a experiência prática me foi muito válida, muito mesmo, aprendo a cada novo encontro, a partir das minhas reflexões, das colocações dos jovens.
Faltam as sugestões. Eu não sei bem o que sugerir, mas acredito que deveríamos ter mais tempo. Isso porque o assunto é muito amplo e sua exploração é essencial. Isso porque enquanto nutricionistas, a não ser que o nosso paciente use sonda e esteja hospitalizado, basicamente teremos que nos utilizar de ferramentas educativas para que nosso plano alimentar seja cumprido. Tanto em nível de grupo, como foi a abordagem da maioria das colegas, em escolas ou outras instituições, quanto em nível ambulatorial ainda temos pouco espaço para trabalhar a questão da abordagem. Dessa forma, podemos nos formar com um ótimo nível técnico, mas limitadas quando temos de levar esse conhecimento para a prática.
Educação nutricional atendeu todas as minhas expectativas, dentro das possibilidades. O ideal seria mais tempo.
Acredito que as dinâmicas iniciais deveriam continuar também.
It's All Folks

Bibliografia

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O que eu estou aprendendo?

A pensar em educação, por que, na minha humilde opinião, não se aprende formas de enfiar coisas na cabeça das pessoas, isso ainda não foi inventado.
Tah, mas sim, a gente pode pensar, o que eu aprendi? Mesmo assim parece que no final fica pouca coisa. A partir disso tem 2 coisas que eu me pergunto:

1- Quanto tempo isso vai ficar lá na minha cabeça? Olha pelo o que eu vejo das disciplinas o conteúdo em si(o nome das enzimas de bioquímica, dos neurotransmissores de fisio e das etapas de formação de trombos, com todos os detalhes de patologia geral), fica muito pouco tempo. Na verdade quando quisermos saber timtim por timtim, aquilo que a gente viu vira apenas uma caminha fofa pra quando precisemos daquele conhecimentos vamos aos livros e o convidamos para se hospedar na nossa cabeça, naquela cama quentinha que armamos.

2-As vezes a gente aprende coisas, o que é diferente de aprender a pensar diferente, que eu acredito ser a proposta da disciplina. Aprender a pensar coisas sobre educação, aprender pelo menos algo do que muitas gente legal propôs para PENSARMOS educação.

Tá, mas caímos num problema, e se não quisermos? E se a gente não está disposto realmente a se dedicar, a entrar na proposta, se a gente quer outra coisa que não trabalhe educação? Bom daí é difícil, acho que o caminho da educação é bem desafiante, exige muita dedicação, a ver pelas pedagogas, pergunte a elas, a uma recém formada que passou 4 anos falando de educação, pergunte a ela se ela sabe tudo. Depois dela arregalar os olhos talvez ela ria, e lhe responda com paciência que não sabe tudo. Então, que pretensão posso ter em esperar sair educadora dessa disciplina de quatro créditos?

Bom, ainda acredito que despertar o pensamento já um ótimo começo! E acho que nesse sentido estou alcançando minimamente os objetivos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Tarefa: construção de um programa educação alimentar.

Esquema de Planejamento

No dia 21 de agosto de 2007, durante o período de aula foi iniciado um trabalho

Fase um: Concepção

· Identificação dos problemas nutricionais

Qual é o problema? Problemas nutricionais na gestação e baixo índice de aleitamento materno. Como se manifesta? Qual é a população afetada? Gestantes e crianças até um ano.

Constituição de equipe multidisciplinar para avaliar a situação, inclusive com mulheres representantes de clubes de mães ou afins(campanha conjunta de saúde). Trabalho voltado para gestantes de primeiro trimestre. Levantamento de informações a partir dos prontuários e dos agentes de saúde(através de questionário semi-estruturado). Peso e altura para classificação de desnutrição/sobrepeso/obesidade. Verificação de glicose e pressão arterial, (diabetes gestacional e hipertensão arterial). Idade. Número de consultas realizadas. Histórico de consumo de cigarro, álcool e outras drogas. Conhecimentos que têm sobre cuidado na gestação e aleitamento materno. Número de filhos. Anemia e se está sendo suplementada. Esses dados serão avaliados na consulta pré-natal através de questionário semi-estruturado padronizado para todo município. Averiguar junto as equipes de saúde quais são as orientações pra as gestantes (questionário semi-estruturado para profissionais de saúde)

· Determinação das Causas

Maus hábitos alimentares, alto consumo de alimentos industrializados ricos em sódio e açúcar. Falta de informação. Crenças (como comer por dois, a mãe deve consumir determinados alimentos para ter mais leite etc). Consumo não-crítico, onde não é pensado as conseqüências do consumo. Orientações errôneas ou contraditórias entre profissionais de saúde. Consumo de cigarro, álcool e outras drogas. Mídia(propaganda de suplementos, vontade de não ganhar peso associada a modelo de beleza). Avaliar processo de produção, conservação, distribuição, acesso e consumo de alimentos e produtos associados(no caso mamadeiras, chupetas, fórmula infantis – verificar a aplicação da legislação)

CADEIA DE CAUSALIDADE

· Diagnóstico educativo: eleição de fatores oportunos a se atuarno grupo interdsciplinar baseado em critérios de aceitabilidade, eficácia presumida, custo e outros.

· População: Campanha voltada para gestantes de primeiro trimestre. Trabalho intensivo nas 5 UBS (das 11 totais) que concentrem maior número de gestantes. Trabalho com gestantes adolescentes. Consenso na orientação dos profissionais de saúde.

Metodologia:

Buscar dados de prontuário para selecionar as gestantes até o 2º trimestre de gestação

Dados de prontuário a serem recolhidos:

  • peso/estatura
  • ganho de peso na gestação
  • peso usual antes da gestação
  • anemia/toma suplemento??
  • exames laboratoriais
  • estado civil
  • idade gestacional
  • nº filhos
  • comorbidades
  • data última gestação
  • frequência pré-natal

Após analisar os dados,as gestantes dos 5 postos serão estratificadas em 4 grupos para orientação nutricional

  1. gestantes com baixo peso (IMC<>
  2. gestantes eutróficas ( IMC >=18,5 e <25kg/m2)
  3. gestantes com excesso de peso (IMC>=25kg/m2)
  4. gestantes adolescentes ( com 18 anos ou menos)

Para cada grupo será realizada uma orientação nutricional específica.

Os agentes e profissionais de saúde receberão capacitação mensal.

Os temas a serem abordados:

  • Anemia na gestação e suplementação
  • Diabetes gestacional
  • Ganho de peso ideal na gestação
  • Aleitamento materno
  • Alimentação na gestação

Fase dois: Formulação

· Estabelecimento de objetivos

Diminuir ocorrência de problemas nutricionais na gestação (sobrepeso, obesidade, desnutrição, diabetes gestacional) e a sua intensidade.

· Elaboração das mensagens

Alimentação saudável na gestação

Aumentar consumo de frutas, verduras

Diminuir consumo de alimentos industrializados, ricos em sal, açúcar.

· Seleção de plano de multimídia(divulgação)

Meios: curso de multiplicadores (para entidades como clube de mães, grupos de terceira idade), um curso específico para profissionais de saúde ( padronizar e aprimorar orientações para gestantes), manual de conduta médica, manual de conduta para agentes de saúde. Trabalho direto nas 5 unidades mais “críticas”, orientações diretas para as gestantes. Para possibilitar e viabilizar isso haverá um ou mais dias específicos na semana de consulta pré-natal, nos quais serão proporcionadas orientações, motivando criação de grupos, através dos profissionais de enfermagem. Haverá atividades em espaços públicos, parques, praças onde a comunidade será convidada a contribuir (trabalhos de escolas, apresentações de danças), havendo uma tenda com profissionais de saúde, que realizarão rodízio, verificarão então pressão, glicose, oferecerão material informativo, exibição de vídeos, profissionais do esporte orientando caminhada

Materiais: cartazes em locais públicos(escolas, mercados—ênfase na venda de verduras—paradas de ônibus,), nos portos de saúde, cartilha de orientação para profissionais da saúde, cartilhas para agentes de saúde, campanha de rádio, com propagandas, chamadas para atividades ao ar livre, formulação de vídeo(para passar na tenda, nas salas de espera).

Fase três: Organização

· Produção de materiais de apoio

· Treinamento de agentes de desenvolvimento

· Execução da intervenção

Fase quatro: Evolução

· Cumprimento dos objetivos

· Satisfação dos participantes

Resenha II Mostra de Pesquisa de Nutricionistas na UFRGS

Resenha II Mostra de Pesquisa de Nutricionistas na UFRGS

29 de agosto de 2007- Auditório da Escola de Enfermagem

A II Mostra de Nutricionistas na UFRGS ocorreu no dia 29 de agosto de 2007, no Auditório da Escola de Enfermagem e foi aberta pela professora Ana Beatriz Oliveira do curso de graduação em Nutrição e pelo diretor da Faculdade de Medicina, Mauro Czepelevsk. No discurso de ambos estavam expressos sentimentos de felicidade pela realização do evento e pelos trabalhos em pesquisa desenvolvidos pelas nutricionistas; e também a expectativa que o evento incentive os acadêmicos presentes a desenvolver pesquisa.

O primeiro trabalho apresentado foi de uma ex-aluna, formanda da primeira turma de Nutrição, Aline Guiouleas. Ela apresentou sua dissertação de mestrado, realizado no programa de pós graduação em Epidemiologia, sobre altura e aspectos socioeconômicos de conscritos,ou seja, jovens alistados nos anos de 2000 a 2004 no serviço militar obrigatório do Rio Grande do Sul. Estabeleceu relações a altura e o IDH das cidades e, entre os anos de alistamento, observando uma relação positiva, indicando aumento na altura dos jovens no geral. Houve uma exceção gritante em relação aos jovens de região sudeste do estado, onde ocorreu diminuição da estatura e estaturas mais baixas em relação a outras regiões do Estado. Outro ponto interessante foi a queda na altura dos jovens que nasceram nas épocas de menor insolação, ou seja nos meses de inverno. Pensando sobre a tabela do NCHS, usada como referência para avaliação nutricional e usando a escala prospectiva de centímetros que a população ganha em altura por ano, Aline ressaltou que levaremos 50 anos para que coincidam as médias de altura referidas na tabela e da população do Rio Grande do Sul. Sua perspectiva de continuidade no trabalho é estender a todo o país, com o foco também no peso destes jovens.

Mariana Ramos, que concluiu seu mestrado no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS, apresentou o trabalho “ Comida da Roça: Saberes e Práticas Alimentares em Agricultores de Maquine”. Este versava sobre as práticas alimentares atuais e as mudanças na alimentação desta população, que mesmo mantendo uma característica bem rural, dada sua posição geográfica, com afastamento de centros urbanos, tem adotado hábitos caracteristicamente urbanos. Podemos destacar que muitos cultivos foram abandonados, principalmente trigo e arroz, pelo seu baixo preço de venda, mas também baixo preço para compra. Isso se relaciona intimamente com outros fenômenos que levam a diminuição da produção de alimentos para o auto-consumo. Mesmo assim, a comida que vem da cidade é considerada fraca e a para auto-consumo se mantém valorada como comida pura, saudável. Aumento de alimentos industrializados e a incorporação do discurso médico também estão presentes. Para pensarmos ficam as questões econômicas (manutenção dessas famílias no campo, segurança alimentar), políticas (autonomia dos produtores), nutricionais (consumo de alimentos industrializados, diminuição de alimentos integrais) e simbólicos ( do alimento, da sua condição como agricultor).

O terceiro trabalho foi apresentado pela professora Josi Mello, sobre análise microbiológica de queijos, onde foi encontrada Listeria Monocitogenes, além da análise de alguns genes da cepa presente nestes queijos. A discussão levantada é muito relevante quando pensamos que não se conhece muito sobre este microorganismo (sua virulência, a incidência dos casos), mas que o que se sabe é que a listeriose por ser fatal em mais de 30% dos casos, causando abortos e meningite. Entretanto, não é protocolo a investigação de Listeriose e os casos ficam mascarados, não se conhecendo sua real importância na saúde pública.

O quarto trabalho, apresentado pela professora Sandra Barbiero, foi sobre sobrepeso e obesidade em escolares de Porto Alegre. O trabalho foi desenvolvido junto ao núcleo de prevenção de doenças cardiovasculares do Hospital de Cardiologia. A justificativa se encontra baseada em trabalhos que relatam lesão arterosclerótica em jovens. Foi realizada avaliação nutricional e recordatório da dieta. Guloseimas tiveram consumo freqüente, houve correlação entre sobrepeso/obesidade dos filhos com sobrepeso/obesidade dos mais, mais acentuadamente da mãe, o índice de sobrepeso obesidade foi maior em filhos únicos e em nascidos prematuos. A conclusão foi de que há necessidade de trabalhar educação nutricional com os escolares para reverter esse quadro alarmante de desnutrição (lembrando que desnutrição diz respeito a estado nutricional inadequado, tanto a subnutrição, quanto sobrepeso/obesidade).

À tarde a primeira apresentação foi da nutricionista Nêmora Cabislani, sobre adolescentes vegetarianos. Não participei da apresentação porque já conhecia o trabalho de outro momento, e, aliás, gostei muito, pois e temática do vegetarianismo é bem controversa no meio acadêmico, e tendo em vista que são muitos os adeptos desta prática, o tema tem que ser mais estudado.

O trabalho seguinte, sobre a desnutrição e Fibrose Cística, alertou-nos sobre que os pacientes com esta doença merecem um cuidado especial na avaliação nutricional. Os parâmetros de desnutrição e risco de desnutrição devem ser mais rigorosos para diminuir o risco de piora do estado nutricional, pois há um agravamento significativo dos sintomas respiratório deste pacientes. Segundo o estudo a relação entre estado nutricional e capacidade ventilatória foi positiva.

Vivian Luft apresentou o trabalho seguinte: “Nutrição Enteral como Fator de Risco para Diarréia em Adultos Hospitalizados”. Foi confirmado que pacientes que fizeram uso de nutrição Enteral tiveram 2,7 vezes mais diarréia que os demais, mas quando os dados foram ajustados para fatores de confusão. Entretanto, observando os protocolos de higienização e troca de equipos, quando o procediemento correto era realizado a incidência de diarréia era muito semelhante a de pacientes que não utilizaram sonda, reforçando a importância de orientar que esses protocolos sejam realizados corretamente.

O trabalho de doutorado da professora Teresa foi sobre “Anemis Ferropriva na Infância: Prevalência e Fatores Associados na Amazônia Ocidental Brasileira”. A pesquisa foi realizada no Acre, com todas as crianças de dois municípios. A proposta era avaliar anemia por mais critérios que apenas a hemoglobina, que não permite avaliar a reserva de ferro. Dessa, foram avaliadas a hemoglobina, a ferritina plasmática e o receptor de transferrina, para evitar o mascaramento dos dados de transferrina em função de infecções. Os dados socioeconômicos encontrados foi que a anemia, ale de ser muito prevalente, estava relacionada a escolaridade dos pais, ao índice de riqueza, a idade(mais prevalente em crianças de dois anos), a ocorrência de diarréia nos últimos 15 dias e ao número de pessoas por dormitório na casa. A conclusão foi de que, por ser uma doença social, há necessidade de ações preventivas, no caso em crianças menores de 2 anos, que não se justifica focar as ações de saúdo na população mais pobre e que são indicados a fortificação de alimentos e suplementação medicamentosa nos grupos de risco. Mas eu ainda vejo o tema como muito controverso.

Por fim, a professora Magda apresentou seu trabalho sobre Licopeno, eu realmente gostei muito deste trabalho, por ver que em algum caso podemos dizer com segurança que o alimento é mais eficaz que o suplemento numa ação clínica específica. No trabalho dela os homens com aumento benigno da próstata consumiram sistematicamente molho de tomate e reduziram os marcadores de risco para câncer.

Os trabalhos apresentados trouxeram diversos saberes das várias áreas da Nutrição. E de acordo com afinidades, cada participante se interessou mais por alguma fala específica, mas acredito que algumas coisas foram marcantes para todos. Algo que me marcou muito foi a manifestação da professora teresa ressaltando que lemos pouco, que precisamos ler. Acredito que não apenas ler mais no sentido direto, mas que precisamos sim estudar mais, aprofundar nossos conhecimento e não nos contentarmos com o mínimo necessário para obtermos nossa formação profissional.Também apareceu a necessidade de diálogo permanente entre as áreas da Nutrição, não apenas pesquisar, mas divulgar esse conhecimento adquirido e buscando encontrar e mostrar a aplicabilidade dele em todos os campos de atuação. Nesse sentido a Mostra de Pesquisa foi muito feliz nesta troca de saberes, ao mesmo tempo que despertou a consciência dessa necessidade. Quanto a mensagem fundamental do encontro, esta ficou clara desde o objetivo do evento: PESQUISAR, que o nutricionista deve buscar formação continuada e promover saúde através da produção de conhecimento, para conseguirmos realizar Nutrição baseada em evidências, e evidências de qualidade, desenvolvendo ferramentas para garantir o direita a saúde da nossa população.

Resenha Conversando Sobre Integralidade no SUS - Gastão Wagner

Resenha Palestra: A Gestão e o Trabalho em Saúde

Com Gastão Wagner -28 de agosto de 2007- Prédio 15 da PUCRS

A palestra, intitulado, "Conversando sobre Integralidade no SUS: o desafio da formação na perspectiva da inter/transdisciplinariedade", foi promovida pela Escola de Saúde Pública, através da Coordenação de Ensino e da Coordenação da RIS, trazendo como interlocutor o professor Dr. Gastão Wagner de Souza Campos. A atividade estava voltada na realidade para residentes de diversas intituições (Grupo Hospitalar Conceição, Escola de Saúde Pública, PUCRS) e alunos do Curso de Saúde Pública (ESP), mas graças ao convite das professoras pudemos participar.

E foi muito rico, à medida que, mesmo ignorando muitos dos assuntos que foram abordados, das discussões, dos problemas que foram discutidos, por justamente não estarmos dentro da realidade daqueles residentes, ou como o próprio Gastão comentou: “residentas”, afinal o público era predominantemente de mulheres; mesmo assim ganhamos quando abrimos nossas perspectivas em relação ao SUS.

Acredito que a explanação inicial sobre as origens do SUS e um breve panorama atual foi importante para me situar. Apesar de ter estudado um pouco sobre o SUS e lido outro pouco, muito foi acrescentado pela fala do professor. Foi uma perspectiva nova para mim, pensar que a nossa reforma sanitária começou tardiamente no Brasil, começando a ser implementada no auge do neoliberalismo e por isso sofrendo as várias conseqüências dos embates entre a proposta mais social do SUS e da realidade dos anos 90. Isso nos tranqüiliza quanto a cobrança por melhores resultados por parte do sistema de saúde, visto que seu crescimento foi desacelerado por forças antagonistas de mercado.

Me tocou muito a fala do Gastão, pelo seu otimismo, por colocar propostas para agir dentro do SUS, visando viabilizar os princípios de eqüidade, integralidade e universalidade. Novos conceitos agregados, como a intersetorialidade, que pode ser pensada em termos de melhorar o diálogo entre os setores, de modo que cada um traga a sua colaboração e não que hajam disputas de poder. Outro termo foi o de clínica ampliada, um conceito de Hegel que pretende que se unam os saberes da clínica biologicista, subjetivista e social. Há também a clínica compartilhada, em que a proposta é envolver o usuário no seu processo de cura, construindo conjuntamente o diagnóstico e a terapêutica do paciente.

Achei muito interessantes as experiências de metodologia relatada no ensino da graduação. Realmente, seria muito válido que aprendêssemos a identificar problemas e suas soluções em nível de saúde coletiva estando ligados a uma unidade de saúde, num processo crescente. Acho que esse tipo de experiência poderia vincular muito mais profissionais a proposta do SUS à medida que cria, através do vínculo com a comunidade a noção de responsabilidade social, porque aí há espaço para que se crie um significado trabalhar com atenção básica em saúde, mais do que um apenas saber sobre.

Um último ponto marcante desta experiência, que acredito ser para todos nós nutricionistas ao se pensar como profissionais de saúde, foi o conceito de INCLINAR-SE. Não podemos nos horizontalizar com o paciente, com sua família e nos tornarmos pura e simplesmente igual, pois na condição de paciente não temos as ferramentas que dispomos como nutricionistas. Também se verticalizar diante dele, tomando uma postura estritamente técnica não atende as necessidades. È necessário manter-se equilibrando ao inclinar-se, para assim garantir saúde, que é o nosso objetivo maior.

Sobre a Construção do Portifólio

Com base no texto postado no portal de ensino à distância Rooda dentro do espaço “aulas” da disciplina de Educação Nutricional desenvolvi uma série de reflexões.

Primeira, sobre o próprio fazer do portifólio. O texto contém dicas de como montar o portifólio, que conteúdos inserir, mostrando que espaço temos dentro deste documento para colocarmos nossas percepções, o referencial teórico usado. Acredito que nesse espaço não seja necessário reproduzir todas as orientações, pois da forma como eu entendi devemos colocar nossas impressões, resumos de leituras, enfim, tudo que tenha colaborado para o nosso aprendizado sobre educação alimentar dentro dos objetivos da disciplina.

Segundo, refleti um pouco sobre a própria forma de avaliação através de um portifólio. Sabemos que é necessário que haja alguma avaliação concreta dos conhecimentos desenvolvidos, mas há algum tempo tenho me questionado o quanto uma prova avalia nosso desempenho em uma disciplina. Realmente eu não acredito que prova seja um bom método avaliativo, não quando pensamos em disciplinas mais específicas do curso. Não somos das ciências exatas, em que somamos números e chegamos a resultados, nossos resultados dependem de outras habilidades. Por isso gostei muito da proposta de avaliação através do portifólio, porque para desenvolver as habilidades de que falei passamos por um processo durante a disciplina, e principalmente há um processo de construção de uma proposta de intervenção em educação nutricional. Uma prova é um recorte, o portifólio ao contrário, se escrito ao longo da disciplina (e não no final), pode representar toda essa construção.

E uma última reflexão, sobre a possibilidade de fazer um portifólio em formato digital. Gostei da proposta ser mais aberta, o que permite, com o consentimento das professoras que possamos pensar nas formas de apresentar esse portifólio e pensando que o meio digital hoje é uma forma de mostrar as nossas idéias, que pode ser visto inclusive como mais ecológico que a impressão em papel, que nós estamos utilizando uma ferramenta de ensino a distância para a disciplina, que inclusive pode ser utilizado como ferramenta de educação alimentar, estou propondo que meu portifólio seja um blog, ou melhor um blogfólio.

Autobiografia

Eu me chamo Pauline, como consta na folha de identificação do portifólio.

Minha trajetória pessoal e acadêmica não é muito longa, afinal são 19 anos de vida e nem três de universidade.

Nasci em Canoas, RS, e morei lá até os 14 anos quando vim para Porto Alegre. Aqui realizei meu ensino médio e logo após a formatura ingressei, para minha própria surpresa na Universidade, no Curso de Graduação em Nutrição. Digo que foi surpresa, pois não acreditava que estivesse preparada para competir com tantas candidatas.

Mas obtive com sucesso aprovação e entrei em 2005 no curso. E me senti muito realizada com esse ingresso, pois Nutrição, apesar de eu nunca saber exatamente as perguntas do primeiro semestre: “Por que você escolheu Nutrição?”, era exatamente o que eu queria, e eu fui adquirindo essa certeza conforme fui avançando no curso.

Logo no primeiro semestre, houveram três acontecimentos significativos para mim: o ingresso como bolsista SAE na COMGRAD Nutri, a participação no Projeto de Extensão Nutrição no Parque e no V ERENUT Sul (Encontro Regional de Estudantes de Nutrição de Região Sul).

Ser bolsista da COMGRAD Nutri foi um grande aprendizado sobre as estruturas da Universidade que eu ignorava completamente, além dos vínculos estabelecidos.

O Nutrição no Parque foi a primeira ação de que eu participei no curso. Por isso, vejo como é importante incentivar extensão, acho que esse pode ser o ponto de partida para que enquanto acadêmicos possamos começar a devolver a sociedade o que recebemos enquanto estudamos numa universidade pública. Isso se chama compromisso social. Mais do que isso é uma atividade de aprendizado, de desenvolvimento de crítica, um espaço que nesse sentido pode ser ainda mais explorado. E eu aprendi muito, talvez não tanto em conteúdo de Educação Nutricional, mas me despertou um olhar de curiosidade para o tema. No ano seguinte eu viria a ser bolsista por este mesmo projeto, que me rendeu igualmente muitos aprendizados. Como bolsista a perspectiva era diferente, havia a pretensão de formar um grupo de trabalho, que efetivamente acabou não se constituindo para dar andamento ao projeto para o ano seguinte, mas a foi rico e levarei na minha bagagem de experiências.

O ERENUT foi um evento, de três dias que me abriu horizontes para uma Nutrição em que eu me identifiquei. Foi a primeira vez que a Nutrição foi colocada dentro dos temas da saúde pública e da agroecologia e agricultura familiar. E são estes temas pelos quais eu sou mais apaixonada dentro da temática da alimentação. Apaixonada soa muito informal, pouco criterioso, mas realmente expressa o vínculo que eu tenho com esses assuntos, os quais eu vejo como indissociáveis do processo de criação de estratégias de promoção a segurança alimentar. No ano seguinte, 2006 eu participei do VI ERENUT Sul, que igualmente foi muito interessante.

No final de 2005 e início de 2006 realizei um estágio de 6 meses em UAN, na empresa RA Catering. Classifico essa experiência como uma das mais significativas em relação a aprendizagem sobre as relações de trabalho.

Ao final do estágio voltei a ser bolsista SAE, por três meses, quando me tornei bolsista de iniciação científica pelo projeto Multifuncionalidade da Agricultura a Mesa.

Durante esse período tenho participado de representações discentes junto ao CANPE, Centro Acadêmico de Nutrição Pedro Escudero.

A AUTOBIOGRAFIA ENCONTRA-SE INCOMPLETA, ATUALIZAREI E ORGANIZAREI IDEIAS CONFORME O TEMPO.